quarta-feira, 21 de junho de 2017

Mapa da Origem dos Alimentos

link: http://blog.ciat.cgiar.org/origin-of-crops/

Dois terços dos gêneros alimentícios que compõem dietas dos países são originalmente de outras regiões. A internacionalização só cresce É difícil imaginar a cozinha italiana sem tomate, ou a culinária francesa sem batata. E, no entanto, ambos são originários da América do Sul, mais precisamente da região da cordilheira dos Andes. Já as mangueiras, bananeiras, coqueiros, pés de laranja e canaviais que proliferam pelo litoral e interior brasileiros vêm do sudeste da Ásia - isso para não falar dos cafezais, originários da África central. O mundo das comidas, bem antes do Instagram e dos foodies, é altamente globalizado. A interdependência alimentar ganhou impulso na Era das Navegações e só vem crescendo desde então.Dois terços dos gêneros alimentícios que compõem dietas dos países são originalmente de outras regiões. A internacionalização só cresce. É difícil imaginar a cozinha italiana sem tomate, ou a culinária francesa sem batata. E, no entanto, ambos são originários da América do Sul, mais precisamente da região da cordilheira dos Andes. Já as mangueiras, bananeiras, coqueiros, pés de laranja e canaviais que proliferam pelo litoral e interior brasileiros vêm do sudeste da Ásia - isso para não falar dos cafezais, originários da África central. O mundo das comidas, bem antes do Instagram e dos foodies, é altamente globalizado. A interdependência alimentar ganhou impulso na Era das Navegações e só vem crescendo desde então.

Um estudo recente, publicado em junho de 2016, mostra que quase 70% dos sistemas alimentares dos países atualmente é baseado em gêneros comestíveis que surgiram em outras regiões. Além disso, o estudo conclui que, nos últimos 50 anos, esses alimentos “estrangeiros” se tornaram cada vez mais presentes nas dietas das pessoas - mesmo em países com grande biodiversidade. A pesquisa foi feita por cientistas ligados ao Centro Internacional de Agricultura Tropical, organização com sede na Colômbia que existe desde 1967.

Um mapa interativo feito pelos autores do estudo indica graficamente, em inglês, de onde vêm os principais alimentos do mundo:

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores cruzaram as informações sobre as origens de 151 gêneros alimentícios diferentes, de 23 regiões do mundo, com dados sobre as dietas de 177 país, compilados pelo braço de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas. A pesquisa cobriu assim os hábitos alimentares de 98% da população mundial.

"Para cada país, podíamos discernir qual era a contribuição em termos de calorias, proteínas, gorduras e peso total da comida para cada gênero alimentício - e então ver se sua origem era local ou estrangeira”, disse ao site da NPR, rádio pública americana, Colin Khoury, autor principal da pesquisa.

Além de criar o mapa que mostra de onde vem cada alimento, os pesquisadores criaram um gráfico interativo circular em que é possível ver quanto da dieta de cada região do mundo vem de fora. Vê-se no gráfico, por exemplo, que a América do Norte é altamente dependente, do ponto de vista calórico, de alimentos surgidos no Norte da África e Oriente Médio - principalmente o trigo.

Os mapas e gráficos apresentam os dados agrupados apenas por região, mas a partir das tabelas anexas ao artigo que explica a pesquisa, o Nexo conseguiu identificar qual a origem dos alimentos que, em termos calóricos, formam a base da dieta brasileira. Apenas 12% do que comemos vem de plantas originárias das Américas - dos quais só 2,4% são da região onde está o Brasil, a América do Sul tropical.

Como é determinada a origem das comidas

Se os dados usados pelos pesquisadores sobre a dieta e hábitos alimentares vêm das Nações Unidas, após compilação feita junto aos governos de cada país, a determinação da origem de cada gênero alimentício vem de uma tese dos anos 1920.

No começo do século 20, o pesquisador russo Nikolai Vavilov propôs a ideia de que há no mundo alguns “centros de origem” das culturas comestíveis. Antes de Vavilov, com subsídios de estudo botânicos, fitogeográficos e genéticos já era possível determinar mais ou menos a origem dessas culturas. Mas o russo sistematiza esse conhecimento ancorado na ideia de que a região onde uma cultura foi domesticada, seu centro de origem, seria marcada pela grande diversidade do gênero alimentício convivendo com suas variedades selvagens. Isso porque naquela região, os agricultores foram selecionando ao longo do tempo as melhores espécies.

Assim, ele identificou centros de origem no México, no Chile, no Brasil, ao redor do Mediterrâneo, entre outros. Vavilov tinha um interesse prático na determinação da origem das culturas comestíveis, pois esses centros guardam grande diversidade genético que seria útil para a melhoria da agricultura, com espécies capazes de se adaptar a diferentes climas ou doenças. O debate evoluiu depois de Vavilov até hoje - o termo “centro de diversidade”, por exemplo, é preferido atualmente a “centro de origem”.

O problema da biodiversidade

Além de mapear e cruzar os dados que mostram as origens e a interdependência alimentar dos países, o estudo liderado por Colin Khoury termina com um alerta. Há um efeito perverso nessa globalização: o fato de 70% da comida dos países vir, originalmente, de outro lugar, é sintoma de uma homogeneização das dietas, que pode ter o impacto negativo de reduzir a biodiversidade das culturas comestíveis. Isso torna o sistema alimentar global mais vulnerável a doenças e intempéries.

“É prudente fazermos um amplo e inclusivo esforço de conservar e tornar acessível a diversidade genética de gêneros alimentícios em todo o mundo”, dizem os autores da pesquisa. Existem atualmente alguns tratados internacionais para a conversação e difusão de variedades de gêneros alimentícios, com o objetivo de se contrapor à tendência de homogeneização das culturas comestíveis. Na Noruega, enterrado no gelo, há um banco de sementes com 1 milhão de variedades que servem como um seguro contra catástrofes naturais e guerras.

Um estudo recente, publicado em junho de 2016, mostra que quase 70% dos sistemas alimentares dos países atualmente é baseado em gêneros comestíveis que surgiram em outras regiões. Além disso, o estudo conclui que, nos últimos 50 anos, esses alimentos “estrangeiros” se tornaram cada vez mais presentes nas dietas das pessoas - mesmo em países com grande biodiversidade. A pesquisa foi feita por cientistas ligados ao Centro Internacional de Agricultura Tropical, organização com sede na Colômbia que existe desde 1967.

Um mapa interativo feito pelos autores do estudo indica graficamente, em inglês, de onde vêm os principais alimentos do mundo:

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores cruzaram as informações sobre as origens de 151 gêneros alimentícios diferentes, de 23 regiões do mundo, com dados sobre as dietas de 177 país, compilados pelo braço de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas. A pesquisa cobriu assim os hábitos alimentares de 98% da população mundial.

"Para cada país, podíamos discernir qual era a contribuição em termos de calorias, proteínas, gorduras e peso total da comida para cada gênero alimentício - e então ver se sua origem era local ou estrangeira”, disse ao site da NPR, rádio pública americana, Colin Khoury, autor principal da pesquisa.

Além de criar o mapa que mostra de onde vem cada alimento, os pesquisadores criaram um gráfico interativo circular em que é possível ver quanto da dieta de cada região do mundo vem de fora. Vê-se no gráfico, por exemplo, que a América do Norte é altamente dependente, do ponto de vista calórico, de alimentos surgidos no Norte da África e Oriente Médio - principalmente o trigo.

Os mapas e gráficos apresentam os dados agrupados apenas por região, mas a partir das tabelas anexas ao artigo que explica a pesquisa, o Nexo conseguiu identificar qual a origem dos alimentos que, em termos calóricos, formam a base da dieta brasileira. Apenas 12% do que comemos vem de plantas originárias das Américas - dos quais só 2,4% são da região onde está o Brasil, a América do Sul tropical.

Como é determinada a origem das comidas

Se os dados usados pelos pesquisadores sobre a dieta e hábitos alimentares vêm das Nações Unidas, após compilação feita junto aos governos de cada país, a determinação da origem de cada gênero alimentício vem de uma tese dos anos 1920.

No começo do século 20, o pesquisador russo Nikolai Vavilov propôs a ideia de que há no mundo alguns “centros de origem” das culturas comestíveis. Antes de Vavilov, com subsídios de estudo botânicos, fitogeográficos e genéticos já era possível determinar mais ou menos a origem dessas culturas. Mas o russo sistematiza esse conhecimento ancorado na ideia de que a região onde uma cultura foi domesticada, seu centro de origem, seria marcada pela grande diversidade do gênero alimentício convivendo com suas variedades selvagens. Isso porque naquela região, os agricultores foram selecionando ao longo do tempo as melhores espécies.

Assim, ele identificou centros de origem no México, no Chile, no Brasil, ao redor do Mediterrâneo, entre outros. Vavilov tinha um interesse prático na determinação da origem das culturas comestíveis, pois esses centros guardam grande diversidade genético que seria útil para a melhoria da agricultura, com espécies capazes de se adaptar a diferentes climas ou doenças. O debate evoluiu depois de Vavilov até hoje - o termo “centro de diversidade”, por exemplo, é preferido atualmente a “centro de origem”.

O problema da biodiversidade

Além de mapear e cruzar os dados que mostram as origens e a interdependência alimentar dos países, o estudo liderado por Colin Khoury termina com um alerta. Há um efeito perverso nessa globalização: o fato de 70% da comida dos países vir, originalmente, de outro lugar, é sintoma de uma homogeneização das dietas, que pode ter o impacto negativo de reduzir a biodiversidade das culturas comestíveis. Isso torna o sistema alimentar global mais vulnerável a doenças e intempéries.

“É prudente fazermos um amplo e inclusivo esforço de conservar e tornar acessível a diversidade genética de gêneros alimentícios em todo o mundo”, dizem os autores da pesquisa. Existem atualmente alguns tratados internacionais para a conversação e difusão de variedades de gêneros alimentícios, com o objetivo de se contrapor à tendência de homogeneização das culturas comestíveis. Na Noruega, enterrado no gelo, há um banco de sementes com 1 milhão de variedades que servem como um seguro contra catástrofes naturais e guerras.


Mapa Interativo

Alimentos Consumidos

Alimentos Produzidos

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Geoprocessamento Aplicado

link:http://editora.ifpb.edu.br/index.php/ifpb/catalog/view/80/43/142-1


A publicação “Geoprocessamento Aplicado – Contexto Multidisciplinar”, reunindo textos técnicos em seus treze capítulos, apresenta, em onze deles, uma amostra de trabalhos de graduação deste curso, não raramente frutos de pesquisas de iniciação científica, com abrangência pluridisciplinar, como de fato se caracteriza o campo de ação das técnicas de geoprocessamento. Não menos importantes, outros dois capítulos da obra compreendem trabalhos desenvolvidos por servidores do IFPB não atuantes no curso em questão – mas que têm utilizado as geotecnologias no campo das áreas socioeducacionais e ambientais.

O Capítulo VII, Sistema de Informação Geográfica aplicado ao controle das perdas físicas em sistemas de abastecimento de água, de Marcello Benigno Borges de Barros Filho e Larissa Maria Alves de Araújo, apresenta um case aplicado na área urbana do município de Santa Rita (PB), parte da Região Metropolitana de João Pessoa, estado da Paraíba.

sábado, 8 de abril de 2017

Clubes do Futebol Brasileiro

A história do Campeonato Brasileiro reflete a geopolítica nacional nas últimas décadas. Primeiro, a Taça Roberto Gomes Pedrosa marcou a expansão do Torneio Rio-São Paulo para outros centros importantes do mapa. Já o estabelecimento do torneio, em 1971, fez parte de um pacote de projetos do governo militar para a integração nacional. E, no fim das contas, o futebol entrou no jogo político durante a ditadura, com a célebre estratégia do “onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional”. Especialmente entre as décadas de 1970 e 1980, diversas cidades de grande e médio porte estiveram representadas no certame. Ainda que a ocupação do território refletisse bastante a distribuição populacional, com clubes concentrados pelo litoral e no interior principalmente no Centro-Sul.

Posteriormente, a configuração do Brasileiro se transformou. Durante os anos 1990, explicitava também os desmandos da CBF, com suas mudanças de regulamento para satisfazer o jogo de interesses. Mas, ao menos desde 2003, a estabilidade dos pontos corridos deixou de inchar a competição. Menos participantes inéditos surgiram, pesando muito mais os méritos em campo (e, em alguns casos, os apadrinhamentos de prefeituras ou empresas) para que os novatos emergissem à elite.

No mapa abaixo, fazemos um resgate histórico dos clubes que já apareceram ao menos uma vez na elite do Brasileiro, desde 1959. Cada um está localizado no estádio onde costuma mandar os seus jogos. As equipes que fizeram parte apenas da Taça Brasil ou do Robertão estão separadas, demarcando os diferentes períodos antes da unificação do Brasileirão – e a ficha de cada clube que participou das duas fases do torneio destaca o número de edições nas quais ele esteve depois de 1971.

Para conferir o estádio de cada time, basta aproximar o mapa. Muitos escudos estão sobrepostos, por isso é preciso chegar mais perto da localização para diferenciar cada equipe. Além disso, a organização dos emblemas é feita automaticamente pelo sistema do Google Maps. Clubes com menos participações no Brasileirão acabam aparecendo por cima.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Ranking do Saneamento das 100 Maiores Cidades - 2017

link: http://www.tratabrasil.org.br/ranking-do-saneamento-das-100-maiores-cidades-2017

link 2 (Fantástico): http://glo.bo/2lxox1I

Síntese: (BASE DE DADOS DE 2015, SNIS - SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES DE SANEAMENTO)

Lançado desde 2009 pelo Instituto Trata Brasil, o novo Ranking do Saneamento Básico das 100 maiores cidades do país é mais uma vez publicado para chamar atenção dos preocupantes indicadores de saneamento nas 100 maiores cidades do Brasil. Feito em parceria com a GO Associados, especializada em saneamento básico, o trabalho usa dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), Ministério das Cidades – ano base 2015. Avalia a evolução dos indicadores de água, esgotos, investimentos e perdas de água nas maiores cidades e com foco nas capitais brasileiras.

Como destaque, Franca (SP) aparece, pelo quarto ano seguido, como a melhor cidade entre as 100 maiores e Ananindeua (PA) figura na última colocação.

Os dados nacionais de saneamento no Brasil mostram que 50,3% da população tem acesso à coleta dos esgotos e somente 42% dos esgotos são tratados.

RELAÇÃO DAS DOENÇAS (DIARREIA, DENGUE E LEPTOSPIROSE) NAS 10 MELHORES E 10 PIORES CIDADES

Paralelamente ao Ranking do Saneamento desse ano, o Instituto Trata Brasil elaborou um diagnóstico de algumas doenças de veiculação hídrica - diarreia, dengue e leptospirose - nas 10 melhores e 10 piores cidades em saneamento, com base nas classificações do Ranking 2017. O estudo foi feito em parceria com a Reinfra Consultoria e contou com a participação de especialistas colaboradores, como o Dr. Luciano Pamplona de Góes Cavalcanti (Professor Adjunto II do Dept de Saúde Comunitária da Faculdade de Medicina da Universidade do Ceará) e Dr. Marcos Lopes (Professor Associado II do Dept. de Enfermagem na Universidade Federal do Ceará, além de Pesquisador nível 1B do Conselho de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O diagnóstico fez comparações entre a incidência de casos de doenças nas melhores cidades e as piores como forma de mostrar que um melhor acesso aos serviços de água e esgotos realmente afastam grande parte das doenças da água poluída.

O estudo foi feito especificamente para esse conjunto de 20 cidades por serem as situações extremas de avanços e desafios para a universalização dos serviços. Não contém, portanto, informações das outras 80 cidades do Ranking do Saneamento.

link 3: http://g1.globo.com/economia/noticia/saneamento-melhora-mas-metade-dos-brasileiros-segue-sem-esgoto-no-pais.ghtml

Dez anos após a Lei do Saneamento Básico entrar em vigor no Brasil, metade da população do país continua sem acesso a sistemas de esgotamento sanitário. Segundo os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), divulgados em janeiro deste ano e referentes a 2015, apenas 50,3% dos brasileiros têm acesso à coleta de esgoto, o que significa que mais de 100 milhões de pessoas utilizam medidas alternativas para lidar com os dejetos – seja através de uma fossa, seja jogando o esgoto diretamente em rios.
Em 2007, quando a lei 11.445 foi sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 42% da população era atendida por redes de esgoto. Até 2015, o índice aumentou 8,3 pontos percentuais, o que corresponde a menos de um ponto percentual por ano. Quanto ao abastecimento de água, apesar de a abrangência ser bem superior à de esgoto, a evolução foi ainda mais lenta: passou de 80,9% em 2007 para 83,3% em 2015, um aumento de apenas 2,4 pontos percentuais. Já o índice de esgoto tratado passou de 32,5% para 42,7%.
Em algumas regiões do país, como a Norte, a situação é ainda mais grave: 49% da população é atendida por abastecimento de água, e apenas 7,4%, por esgoto. O pior estado – da região e do país – é o Amapá, com 34% e 3,8%, respectivamente. Já o melhor estado é São Paulo, com 95,6% de cobertura em água e 88,4% em esgoto. O Distrito Federal também tem taxas altas: 99% e 84,5%. Um mesmo estado, porém, pode ter cidades com índices muito elevados e muito baixos, algumas com serviços privatizados e outras, com públicos - por isso, é considerada a média de todos os municípios.
Os dados do SNIS utilizados pelo G1 são: "Índice de atendimento total de água" e "Índice de atendimento total de esgoto referido aos municípios atendidos com água". Os indicadores são os mesmos utilizados pelo Instituto Trata Brasil e são os recomendados pelo Ministério da Cidades para fazer as análises (Veja abaixo o ranking completo dos estados baseado nos dados)

Comparando a situação do saneamento básico no país entre 2007 e 2015:

O total de brasileiros atendidos por abastecimendo de água tratada passou de 80,9% para 83,3%
A população atendida por coleta de esgoto passou de 42% para 50,3%
O percentual de esgoto tratado foi de 32,5% para 42,7%
A região Norte segue com os indicadores mais baixos do país (56,9% para cobertura de água, 8,7% para esgoto e 16,4% para esgoto tratado)
A Sudeste continua como a região com a melhor situação: 91,2% (água), 77,2% (esgoto) e 47,4% (tratamento de esgoto)

“No geral, o avanço foi muito pequeno no país. Dez anos para conseguir passar da metade da população em esgoto é muito pouco. Não dá para continuar nesse ritmo. Estamos falando de uma agenda do século 19, de discussões de países desenvolvidos do século 19”, afirma Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil.
Segundo ele, a falta de saneamento adequado traz não apenas problemas sociais ao país, mas também ambientais, financeiros e de saúde, já que é um fator importante na disseminação de doenças. “O saneamento é a estrutura que mais benefícios traz para a população. O ‘básico’ do nome não está ali à toa, é a estrutura mais elementar e a mais relevante." Por isso, a questão da melhora dos índices e da própria universalização se torna tão urgente na pauta do país, afirma.
O Ministério das Cidades diz que os grandes déficits históricos vêm sendo combatidos, e a complexidade de grande parte das obras e o seu tempo médio de duração ainda não permitem que todos os benefícios esperados sejam sentidos de imediato pela população, nem refletidos ainda de modo mais significativo pelos índices como os informados no SNIS. "Deve-se ressaltar que o saneamento básico é uma área que ainda tem grandes desafios a vencer, mas está recebendo uma grande priorização por parte do governo federal. Há um grande esforço para a continuidade dos investimentos no setor, apesar do momento de restrições orçamentárias pelo qual ainda passa o país e um empenho especial aos aprimoramentos necessários ao emprego eficiente dos recursos", afirma, em nota.
Sobre a discrepância dos índices entre as regiões, o ministério diz que "um dos grandes desafios da política pública brasileira é exatamente vencer a barreira das desigualdades sociais, assegurando, no caso do setor saneamento, o direito humano fundamental à água e esgotos, preconizado em resolução da ONU, em que o Brasil é signatário".
A Lei do Saneamento Básico prevê a universalização dos serviços de abastecimento de água e de tratamento da rede de esgoto no país, tendo como um dos principais pilares a elaboração de um plano municipal do setor para cada cidade. Além disso, a lei estabeleceu regras básicas para o setor ao definir as competências do governo federal, dos estados e dos municípios para os serviços, bem como a regulamentação e a participação de empresas privadas. Por conta disso, a expectativa era que o setor ia crescer exponencialmente após a lei.
O Ministério das Cidades diz que os planos municipais de saneamento básico são importantes porque constituem instrumentos que visam diagnosticar a situação local existente e estabelecer prioridades para investimentos e ações no curto, médio e longo prazos. "Trata-se de uma relevante ferramenta de gestão para a boa aplicação de recursos e para o controle social, o que beneficia diretamente a população local. Ter o plano será condição para o acesso a recursos federais na área de saneamento a partir de 2018."
Édison Carlos afirma, no entanto, que "o problema começou com a baixa compreensão dos municípios pela obrigatoriedade da lei". "O nível de adesão tem sido muito baixo, e não só pela falta de vontade, mas pelo despreparo das cidades. Fazer um plano exige capacidade técnica, algo que muitas cidades do país, principalmente as pequenas, não têm.”
Segundo suas estimativas, nem metade das cidades do Brasil tem um plano. Por conta das dificuldades, os prazos estabelecidos para as prefeituras elaborarem o plano foram prorrogados diversas vezes, passando de 2013 para 2015 e, posteriormente, para 2017.
Édison Carlos destaca também a situação das agências reguladoras do país como um dos pontos de entrave da lei. “A questão é muito aberta, pois cada prefeitura pode trabalhar para ter uma agência reguladora no seu município. É uma possibilidade ampla, mas, do ponto de vista do Brasil, é uma loucura poder ter 5.570 agências [o número total de cidades no país]”, afirma.
“Hoje, temos uma mistura muito grande de agências municipais, intermunicipais, estaduais e por consórcio. Imagina isso para uma empresa que presta o serviço de saneamento em várias cidades, como a Sabesp, que atende mais de 300 municípios em São Paulo. Como você é regulado por diversas agências com regras diferentes para a mesma coisa?”

Em busca da universalização

A Lei do Saneamento Básico prevê a universalização dos serviços de abastecimento de água e de tratamento da rede de esgoto no país, tendo como um dos principais pilares a elaboração de um plano municipal do setor para cada cidade. Além disso, a lei estabeleceu regras básicas para o setor ao definir as competências do governo federal, dos estados e dos municípios para os serviços, bem como a regulamentação e a participação de empresas privadas. Por conta disso, a expectativa era que o setor ia crescer exponencialmente após a lei.
O Ministério das Cidades diz que os planos municipais de saneamento básico são importantes porque constituem instrumentos que visam diagnosticar a situação local existente e estabelecer prioridades para investimentos e ações no curto, médio e longo prazos. "Trata-se de uma relevante ferramenta de gestão para a boa aplicação de recursos e para o controle social, o que beneficia diretamente a população local. Ter o plano será condição para o acesso a recursos federais na área de saneamento a partir de 2018."
Édisn Carlos afirma, no entanto, que "o problema começou com a baixa compreensão dos municípios pela obrigatoriedade da lei". "O nível de adesão tem sido muito baixo, e não só pela falta de vontade, mas pelo despreparo das cidades. Fazer um plano exige capacidade técnica, algo que muitas cidades do país, principalmente as pequenas, não têm.”
Segundo suas estimativas, nem metade das cidades do Brasil tem um plano. Por conta das dificuldades, os prazos estabelecidos para as prefeituras elaborarem o plano foram prorrogados diversas vezes, passando de 2013 para 2015 e, posteriormente, para 2017.
Édison Carlos destaca também a situação das agências reguladoras do país como um dos pontos de entrave da lei. “A questão é muito aberta, pois cada prefeitura pode trabalhar para ter uma agência reguladora no seu município. É uma possibilidade ampla, mas, do ponto de vista do Brasil, é uma loucura poder ter 5.570 agências [o número total de cidades no país]”, afirma.
“Hoje, temos uma mistura muito grande de agências municipais, intermunicipais, estaduais e por consórcio. Imagina isso para uma empresa que presta o serviço de saneamento em várias cidades, como a Sabesp, que atende mais de 300 municípios em São Paulo. Como você é regulado por diversas agências com regras diferentes para a mesma coisa?”